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1. Estudar na Alemanha : novo sistema de ensino universitário afeta intercâmbio estudantil Brasil-Alemanha

As Universidades alemães não serão mais as mesmas depois de 2010. A implementação do Processo de
Bolonha, que visa a reestruturação do sistema de ensino superior está a pleno vapor no continente.
Na Alemanha, país que iniciou o debate sobre a necessidade de mudanças no ensino, 67% dos cursos superiores oferecidos atualmente em
universidades já correspondem aos novos critérios, isto é, a "mobilidade educacional". Isto significa que um estudante poderá iniciar
um programa de bacharelado, com duração de três anos, em qualquer universidade européia vinculada ao Processo de Bolonha, mas não poderá
exceder esse período, porque ambos os programas − o bacharelado e o mestrado − têm que ser concluídos dentro de cinco anos.
A discussão em torno do tempo de estudo traz também outras implicações, como a possível perda de qualidade. Parte do corpo docente alemão
vê o novo sistema com desconfiança. Christian Bode, secretário-geral do DAAD na Alemanha, diz que para muitos catedráticos alemães o receio
de abandonar boas tradições "substituindo-as por tradições anglo-americanas" poderia vir a "deteriorar o que ainda resta de positivo na
educação superior da Alemanha". Talvez seja por isso que cursos mais tradicionais, como os de Medicina e Direito, ainda não façam parte
do Processo de Bolonha. E tem também a questão de revalidação de créditos que preocupa estudantes e autoridades. Se na Europa a revalidação
de créditos parece não ser mais entrave – através do Diploma Supplement (DS) – para o estudante não europeu, como o brasileiro, a situação
é diferente.
O secretário de Educação do MEC, Ronaldo Mota, também vê o novo sistema com ressalvas. O secretário informa a existência de discussões
em volta da criação de um Sistema Brasileiro de Transferência de Créditos, o qual tende a estimular e facilitar o trânsito de estudantes
entre todas as instituições, brasileiras e estrangeiras. A discussão encontra-se, porém, ainda no início.
O secretário ressalta a necessidade de se fazer uma diferença entre reconhecer créditos e revalidar diplomas:
"O primeiro tende sim a ser muito facilitado, ao adotarmos novos hábitos e criarmos uma cultura que valorize a mobilidade acadêmica".
Com relação à revalidação de diplomas, porém, ele é mais cuidadoso: "a menos que se altere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação,
essa decisão [a revalidação de diplomas] continuará a ser prerrogativa das instituições apropriadas".
Fonte: Deutsche Welle
2. Os brasileiros e o idioma alemão
Márcio Weichert, assessor de Marketing e Comunicação do DAAD-SP, entrevistou com exclusividade Martin Lange, chefe do departamento
de Alemão como Língua Estrangeira na Christian-Albrechts-Universität, em Kiel há 11 anos. Veja a seguir um resumo desta conversa.

Martin
Lange |
Por que ir para a Alemanha para aprender alemão? Quanto custa? Como encontrar cursos? O que a FaDaF tem a oferecer a escolas de idiomas
e cursos universitários brasileiros? Qual a importância de aprender alemão mesmo para aqueles que vão para a Alemanha estudar ou pesquisar
em inglês? Estas são algumas das perguntas que fizemos a Martin Lange, membro desde 2005 do conselho diretor da
Associação Alemão como Língua
Estrangeira (FaDaF) e Lange participou da recente turnê Estudar e Pesquisar na Alemanha, promovida pelo DAAD, e também nos fala desta sua
primeira viagem ao Brasil. |
É grande a oferta de cursos de alemão para estrangeiros na Alemanha?
Ela é excepcionalmente grande, com ofertas voltadas para os mais diferentes públicos-alvo. Há cursos de integração para imigrantes e
suas famílias, cursos para quem deseja fazer universidade, cursos para estudantes estrangeiros melhorarem seus conhecimentos do idioma,
cursos para crianças e adolescentes etc. Muitas de nossas instituições associadas, sejam universitárias ou escolas privadas de idiomas,
também oferecem cursos de verão e inverno, em geral acompanhados de programas culturais, de lazer e palestras muito interessantes.
Qual a vantagem de se estudar alemão na Alemanha?
Em muitos países, não existe grande oferta de cursos de alemão. Em outros, encontram-se cursos de níveis intermediário e avançado
apenas nas grandes cidades. Muitos participantes não conseguem, em seus países de origem, por falta de tempo, trabalhar ou estudar
e ainda aprender alemão de forma intensiva. Além disso, logo depois de deixarem a sala de aula, estão de novo em ambiente de sua
língua-mãe e pouca aplicação têm para o vocabulário alemão recém-aprendido. Ouve-se pouco o alemão, quase não se fala ou escreve,
e, assim, fica fácil esquecer o que se aprendeu. Em conseqüência, o progresso do aprendizado é lento. Num curso na Alemanha, mergulha-se
no idioma. Ele é ouvido e “visto” no contexto cotidiano e no local de estudo ou trabalho, mesmo após a aula. Aprende-se também mais
facilmente a cultura, o comportamento, a forma de pensar, as tradições e as formas de viver de diferentes grupos sociais. É um aprendizado
muito intensivo e completo, decorrente da interação direta com os falantes no país do idioma.
Como escolher um curso de idiomas na Alemanha?
É claro que existem diversos critérios e meios para a seleção. Para estudantes que buscam um curso de verão,
recomendamos a página do DAAD. A FaDaF também possui um banco de dados próprio,
no qual se pode pesquisar os cursos por região ou por
cidade.
Atualmente, muitas universidades alemãs oferecem cursos superiores em inglês. Até onde ainda é importante que estudantes,
professores e pesquisadores estrangeiros aprendam alemão?
A vida acadêmica na Alemanha é fortemente marcada por atividades sociais, por amizades com colegas alemães
(que às vezes também fazem um curso superior em inglês), por palestras e eventos culturais, por atividades esportivas e artísticas.
Com certeza, há muitos alemães que falam inglês fluentemente, mas quem sabe alemão consegue fazer contatos mais facilmente, ter acesso
a informações e absorver conhecimentos culturais que aos demais estarão inacessíveis. E, enfim, em certas situações sociais, é igualmente
importante entender e ser entendido no idioma local. Além disso, gostamos quando os estudantes, após a conclusão de seu curso superior,
levem consigo não só conhecimentos especializados na área de seu curso, mas também um entendimento mais profundo da arte, cultura, história,
economia e vida social da Alemanha.
Fonte: DAAD - Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico : Assessoria de Marketing e comunicação
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